A PRESENÇA DO ATOR CRIANDO TEATRALIDADE
Adriana Maia (Doutorado)
Orientador: Prof. Dr. Ricardo Kosovski
Linha de Pesquisa: Processo e Métodos de Criação Cênica – PMC
Comunicação
Esta comunicação pretende explorar um dos pontos fundamentais da minha tese de doutorado: a percepção da teatralidade de um texto e sua concreção em cena através do trabalho do ator. Para isto usarei o pensamento acerca de teatralidade desenvolvido por Nicolas Evreinov em seu livro, El teatro em la vida, além das idéias contidas em um dos capítulos do livro Teatro, teoria, prácticas: allá más de lás fronteras de Josete Feral que ampliou esses conceitos introduzindo a questão da recepção teatral onde o espectador é figura transformadora do acontecimento. A partir do trabalho de laboratório que venho desenvolvendo com o espetáculo A correspondência secreta vejo que a criação da teatralidade não compreende somente o estabelecimento de novos espaços, mas a incorporação como elemento fundamental do olhar do espectador que, longe de ser algo passivo, constitui a condição do emergir do fato teatral, trazendo uma modificação verdadeiramente qualitativa das relações entre os sujeitos: uma pessoa é identificada como ator, porque está representando (iniciativa do ator) e também porque o espectador lança um olhar sobre ele que o identifica como tal (a iniciativa é do espectador) e inscreve este ator em uma situação teatral (outra iniciativa do espectador).[Denis Guénoun já disse: o público autoriza o ator a atuar; o ator só está no palco porque foi convidado, por eleição da platéia.]. E para que isto aconteça é necessário que o ator esteja presente. Ou seja, conectado com espectador através do fato teatral. A abordagem dos pontos acima descritos serão objetos desta comunicação.
Palavras-chave: teatralidade, presença, relação, disponibilidade, energia.
ROSA MAGALHÃES – UMA INTERLOCUÇÃO CRIATIVA ENTRE TEATRO E CARNAVAL
André Sanches Sampaio (Mestrado)
Orientador: Prof. Dr. José Dias
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
Investigar a produção da artista plástica, professora, carnavalesca, cenógrafa e figurinista Rosa Magalhães é o objetivo da pesquisa apresentada neste texto. Construindo uma história que rompe limites nas mais diversas formas de arte, as fronteiras entre carnaval e teatro se encontram. Interligando esses dois mundos, esta artista-artesã consegue ser admirada criando uma linguagem peculiar para seus trabalhos, fruto de um leque de atividades complexas, resultante de uma postura crítica aliada a um maravilhoso instinto criador. Acredito que não é por tal ou qual método que se opta, e sim por uma prática de pesquisa que nos “toma”, no sentido de ser para nós, significativa. Por isso minha escolha, como cenógrafo, de relacionar teatro e carnaval a partir da produção de Rosa Magalhães. Construir um olhar que me permita ver por trás das aparências, ou até mesmo ver os avessos que não se revelam num primeiro instante, é um desafio. Essa construção exige que a ação investigativa escape do lugar comum e homogeneizador, possibilitando um rompimento com o instituído, contribuindo para que novas formas de fazer, pensar e aprender aflore. Olhar para os diferentes e singulares caminhos percorridos pela artista enxergando-os como possibilidades de aprendizagem, talvez façam emergir novos saberes. Até que ponto a linguagem cenográfica do carnaval afirma, nega ou amplia concepções estéticas, teóricas e técnicas da linguagem cenográfica do teatro? Como se dá o percurso de construção do seu processo criativo? Pensar o carnaval a partir do teatro, ou o teatro a partir do carnaval. Uma relação que abre horizontes de possibilidades contribuindo para investigar concepções e opções estéticas, mais próximas do que um primeiro olhar é capaz de revelar.
O ATOR E A AUTORIA
Andréa Stelzer (Doutorado)
Orientador: Prof. Dr. Walder Virgulino de Souza
Linha de pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
A questão do ator e da autoria está relacionada com uma prática específica e característica do teatro contemporâneo. Em que medida e por que procedimentos o ator é chamado a desempenhar a função de autor? Pode-se considerar que a construção de imagens pelo ator e suas partituras constituem um processo de escrita cênica, do que se passou a chamar de dramaturgia do ator? Afinal, qual a relação do processo de criação do ator com a dramaturgia do espetáculo? No teatro contemporâneo, o campo autoral dos atores avança para além da interpretação do texto, que deixa de ser matéria-prima da criação dando lugar à técnica, a visão de mundo e ao exercício cênico, que se tornam o vocabulário do ator. A busca de uma teatralidade pelo ator está relacionada com a escolha de técnicas específicas para sua criação. De acordo com Foucault (2002), a questão da autoria está relacionada com o sujeito e a forma como ele articula seus discursos. Agambem (2007) complementa a noção de autor de Foucault usando o conceito de dispositivo, que têm o objetivo de orientar, modelar os gestos, as condutas e opiniões dos seres vivos. O autor estaria entre o ser humano e os dispositivos. Nesta abordagem, as técnicas, para o ator, seriam como dispositivos para criação de seu discurso cênico, ou seja, de sua poética teatral. A subjetividade do ator estaria entre os dispositivos e as suas próprias experiências ao se apropriar de um discurso como resultado de uma operação complexa entre os acontecimentos e suas transformações. O ator como autor é uma forma de se pensar a dramaturgia hoje, como construção no agora, de criação de novas subjetividades.
Palavras-chave: ator, autoria, dispositivos, subjetividade, poética.
A arquitetura do simbólico: do ‘Teatro Total’ às tecnologias digitais
Carlos Eduardo Ribeiro Silveira (Doutorado)
Orientadora: Profª. Draª. Evelyn F. Werneck Lima
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
Este projeto pretende contemplar uma melhor compreensão da linguagem acerca do espaço cênico, das performances e das edificações voltadas para o teatro através dos processos de concepção do espaço no qual ocorrem as relações cena/público ou prática cênica. As propostas de maior destaque do teatro instauram novos processos, formas inovadoras de concepção espacial, repensando ou abolindo paradigmas e tradições. A linguagem da encenação teatral contemporânea é extremamente diversificada e complexa, onde não há como negar a presença das tecnologias digitais e dos espaços virtuais. Desta forma, dois estudos de caso serão pontuados: o Teatro Total (Walter Gropius), e a Sticky and Sweet Tour, da artista Madonna, com a intenção de aproximar esses espaços distintos, mas que cumprem papéis iconográficos semelhantes, cada qual ao seu tempo, e traçar paralelos sobre as espacialidades em ambos, partindo desde a área da arquitetura, da história dos espetáculos, da construção dos espaços cenográficos, até chegar às novas mídias digitais.
Palavras-chave: arquitetura, espaço cênico e cenografia; história da arquitetura; construção de espaços simbólicos/virtuais; novas mídias digitais; relação entre plateia e os signos cênicos.
AS INTERVENÇÕES CÊNICAS TRÓPICO-SURREALISTAS DE LINA BO BARDI NO FILME PRATA PALOMARES [1970]: ENTRE CINEMA, TEATRO E ARQUITETURA
Cássia Maria Fernandes Monteiro (Mestre)
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Evelyn Furquim Werneck Lima
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Construção Teatral – PMC
Comunicação
Por perceber um apagamento das realizações audiovisuais em estudos biográficos de Lina Bo Bardi [1914-1992], pretendo, neste estudo, destacar seu trabalho como arquiteta cênica, sobretudo no exercício da direção de arte para o filme Prata Palomares dirigido por André Faria Jr. [1944] no ano 1970. Agindo como um fragmento da dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGAC-UNIRIO) em julho de 2010, este artigo visa, portanto, constatar, a partir do Método Icono-Semiológico, a presença de conceitos do Surrealismo no trabalho de Lina Bo Bardi, bem como sua articulação com elementos do Movimento Tropicalista e suas variações como o Teatro Oficina, Cinema Novo e Marginal.
Palavras-chave: Lina Bo Bardi - Prata Palomares - Direção de Arte – Surrealismo - Tropicalismo.
O ESPAÇO CÊNICO E O EXÍLIO NOS ESPETÁCULOS DE AUGUSTO BOAL
Clara de Andrade e Souza (Mestrado /Capes)
Orientador: Prof. Dr. José Luiz Ligiéro Coelho
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
O presente artigo analisa as diferentes concepções de espaço cênico de quatro espetáculos de Augusto Boal, no período de 1965 a 1986, em que ele viveu majoritariamente no exílio. Os espetáculos analisados são: Arena Conta Zumbi, Torquemada, Murro em ponta de faca e Fedra. A partir de críticas e reportagens sobre as montagens, da pesquisa iconográfica realizada em seu acervo que se encontra na UNIRIO, e mesmo da análise dos textos dramatúrgicos, faz-se uma reflexão sobre as relações destas concepções de espaço – seja a caixa cênica, a arena ou a rua - com os diferentes países e momentos políticos vividos pelo teatrólogo. As alternâncias de espaço cênico são entendidas aqui como trajetória de seu exílio – trajetória física, política, cultural e social – e também como expressão de sua luta pela liberdade. O objetivo deste trabalho, portanto, é encontrar relações entre a trajetória espacial e artística do exílio de Boal e suas concepções de espaço cênico, como traços de sua condição enquanto homem e artista permanentemente exilado.
Palavras–chave: Augusto Boal; teatro engajado; Teatro de Arena; exílio; espaço teatral.
DESCONTROLE, SENSORES E O ATUADOR INTERATIVO
Daniel Bíscaro Loureiro (Daniel Belquer) (Mestrado / Capes)
Orientador: Prof. Dr. Ricardo Kosovski)
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
O avanço da tecnologia digital provoca um salto nas possibilidades cênicas, incluindo-se aí o trabalho do atuador. A computação física e sensores adquiríveis a um custo baixo e manipuláveis com computadores domésticos, permitem criações cênicas ainda distante de serem devidamente pensadas. A revolução provocada por essas novas tecnologias ultrapassa o impacto, à época, da inserção da iluminação cênica, entre os séculos XIX e XX. Não se trata apenas de novos aparatos incluídos na concepção cênica, mas na instauração de uma outra maneira de se pensar criativamente levando-se em conta os recursos de interatividade. Isso permite um maior grau de “descontrole” pelo atuador por colocar a seu encargo as operações de luz, som, vídeo, máquinas de fumaça, etc. integradas a seus movimentos, sons e posicionamentos previstos, sem a necessidade de manipulação direta das ferramentas. Do lado da equipe técnica, esses novos recursos forçam um maior diálogo interdisciplinar uma vez que os aspectos técnicos da encenação passam a ser integrados e, possivelmente, gerenciados por um único software eliminando por completo a questão da busca pela precisão na operação, uma vez que estes passam a funcionar de maneira automatizada disparados e manipulados pelo comando dos atuadores. Sensores de posicionamento, de deslocamentos em duas ou em três dimensões, de distância do chão, sensores de luz, de presença, de aproximação, de temperatura, spots de raios infravermelhos, máquinas de fumaça, refletores de todos os tipos, câmeras-robô, mecanismos de reconhecimento de voz, projeções interativas, todos podem ser devidamente programados para responderem a necessidades específicas da montagem convertendo-se em ferramentas artísticas que ainda superam a imaginação dos criadores. A placa de circuito integrado “Arduino” é indicada para a comunicação computador/sensores. Já o software Max Msp Jitter, é sugerido para o gerenciamento do som, da luz e do vídeo. Para estabelecermos uma metáfora: incorporamos novas palavras ao vocabulário, o que precisamos agora é aprender a escrever poesia.
CRIAÇÃO, FORMAÇÃO E TRANSMISSÃO:PROCEDIMENTOS ARTÍSTICOS/PEDAGÓGICOS DESENVOLVIDOS NO THÉÂTRE DU SOLEIL
Eduardo Vaccari (Doutorado)
Orientador: Prof. Dr. Ricardo Kosovski
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
Esta pesquisa tem por objetivo investigar os procedimentos artísticos/pedagógicos desenvolvidos no Théâtre du Soleil durante os processos de criação de seus espetáculos, para refletir sobre: o duplo papel da companhia (laboratório de pesquisas e escola); o lugar do encenador como condutor de um processo de aprendizagem; e a autoria partilhada. A percepção da existência de três eixos fundamentais que sustentam o trabalho da companhia - criação, formação e transmissão - serve como base para o desenvolvimento desta reflexão. É importante ressaltar, porém, que apesar da necessidade de isolamento destes eixos para melhor compreendê-los, não há possibilidade de pensá-los isoladamente no contexto do grupo. Afinal, é a partir da relação imbricada estabelecida entre eles que o Soleil se constrói e desenvolve seu percurso artístico. A criação dos espetáculos tem como ponto de partida uma premissa básica: o sentido de teatralidade. Todos os procedimentos utilizados nos processos de criação funcionam como alicerces para a arte da transposição - uma busca por formas que os afastem do realismo psicológico. A ideia de formação na companhia nasce também desta premissa. Por isso, no Soleil, existe o hábito de “colocar-se em escola”, que significa engajar-se em uma aventura pelas grandes formas ou pelo universo dramatúrgico dos grandes autores. Foi assim com Shakespeare, Molière, Ésquilo e Eurípedes e é assim com a commedia dell’arte, o topeng, e o bunraku, por exemplo. Já a transmissão, prática comum de integrantes e ex-integrantes interessados em dividir com outras pessoas as experiências adquiridas no interior da companhia, nasce, sem dúvida, do hábito de condução e de aprendizado compartilhado nos processos do grupo. Nestes processos, atores mais experientes conduzem os mais jovens, os mais inspirados conduzem os que se encontram em dificuldades, atores são conduzidos por grandes autores, por máscaras e por música.
Palavras-chave: Théâtre du Soleil, encenação, criação, formação, transmissão.
HÉRCULES: O OUTRO NO ESPAÇO CÊNICO
Eliane Maria Thiengo Demoraes (Doutorado/ Capes)
Orientador: Prof. Dr. Walder Gervásio Virgulino de Souza
Processos e métodos da criação cênica – PMC
Comunicação
Levando em conta a importância que o espaço cênico representa na elaboração de uma obra, apresentaremos algumas questões referentes ao tema. A presente comunicação pretende expor o tema principal da pesquisa que ora desenvolvemos em nível de doutorado: o espaço cênico na obra Fieras afemina amor, de Pedro Calderón de la Barca. Hércules se desloca de seu lugar natural, o campo. Tal deslocamento gera a questão da alteridade, pois passa a ser o estrangeiro.
Palavras chaves: Teatro Áureo, Espaço Cênico, Mitologia, Século de Ouro Espanhol, Alteridade.
EDUCAÇÃO, PRODUÇÃO E MEMÓRIA DAS ARTES CÊNICAS:OS CENTROS CULTURAIS PLANEJADOS POR
LUIZ CARLOS MENDES RIPPER
Heloisa Lyra Bulcão (Doutorado/REUNI)
Orientadora: Profa. Dra. Lidia Kosovski
Co-orientador: Prof. Dr. Aldo Victorio (PPGArtes – UERJ)
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
Luiz Carlos Mendes Ripper, além do legado deixado por sua larga atuação como cenógrafo e figurinista no teatro e no cinema brasileiros e como diretor teatral, teve importante atuação como pensador e educador para as artes, em especial as artes cênicas. Ripper, no entanto, deixou inacabados projetos de diversos centros culturais, alguns tendo chegado a níveis avançados de implementação. Nestes, sempre procurava unir as funções de apoio à produção artistica, memória da produção artística local e formação de profissionais. A presente comunicação pretende trazer à luz suas iniciativas neste campo, de forma a ilustrar a importância dada por ele à indissociabilidade entre a produção artística e a formação profissional, de forma a enriquecer e sedimentar a produção cultural própria das localidades onde atuava, trazendo sempre uma visão ampla da capacidade que a arte, incluindo aí a dita arte popular, tem de aprofundamento humano e cimentação societária.
Palavras-chave: Luiz Carlos Mendes Ripper, produção artística, memória das artes, educação para a arte, centros culturais.
A REALIDADE VIRTUAL DO TEATRO
Kenny Neoob de Carvalho Castro (Doutorado)
Orientador: Prof. Dr. José Dias
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
Artaud viveu intensamente seu trabalho. Uma visão crítica de seu tempo impulsionava-o a encontrar não uma nova forma de teatro, mas a verdadeira forma do teatro, “a realidade virtual do teatro”. O teatro seria como um plano virtual no qual evoluem personagens. Este plano se realizaria, real e materialmente, através de “estados filosóficos da matéria”. Ao ler seu livro O teatro e seu duplo precisamos cuidar para compreender o que Artaud propõe como ‘simbolismo paralelo’ ou, simplesmente, ‘duplo’.
Palavras-chave: virtual; filosofia; Deleuze; duplo; teatro.
ELES SÓ USAM BLACK OUT
Mauricio Ferreira Cardoso (Mestrado)
Orientador: Prof. Dr. José da Silva Dias
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
Entre os objetivos específicos deste trabalho, procurar-se-á, através do estudo da dramaturgia de Nelson Rodrigues buscar a compreensão do uso do efeito de luz como formatador da cena e seus múltiplos espaços e do decurso temporal, bem com analisar a maneira pela qual a luz se insere na obra de rodriguiana e seus possíveis significados. Signos e metáforas do autor e a aplicação destas na construção da cena em luz. Por comparações, entre seus diversos textos, compreender a evolução da escrita dramatúrgica do autor relacionando as mudanças e processos evolutivos da iluminação (técnicos, estéticos e dramatúrgicos) criando ou não um paralelo destas evoluções. Para auxílio neste processo outros autores, nacionais e estrangeiros, de diversos períodos serão utilizados para fins de comparação, analisando a fratura espacial criada pela iluminação, e como o autor vê esse espaço criado pela luz em sua dramaturgia e como ela se insere na dramaturgia contemporânea.
Palavras-chave: Linguagem dramatúrgica; Iluminação; Nelson Rodrigues; Escrituração de cena; Semiologia da luz.
DIDO E ENÉAS 2008:ÓPERA E TEATRO AMBIENTAL NA ENCENAÇÃO DE ANTÔNIO ARAÚJO
Menelick Pixinine de Carvalho (Mestrado/CNPq)
Orientadora: Profa. Dra. Lidia Kosovski
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos Cênicos – PMC
Comunicação
Neste trabalho, analiso a encenação da ópera Dido e Enéas, produzida pelo Teatro Municipal de São Paulo em 2008. Realizada em comemoração pela inauguração da nova Central Técnica de Produção do TMSP, a produção não ocorre no tradicional palco de óperas, mas no interior de um galpão da nova central Chico Giacchieri. Convidado pelo diretor artístico Jamil Maluf, o encenador Antônio Araújo assina a direção cênica da montagem, utilizando os atores do Teatro da Vertigem como comparsaria. Muitas das técnicas desenvolvidas ao longo dos anos pelo Vertigem são trazidas para esta montagem, de acordo com processos de apropriação cênica de espaços não-construídos originalmente para esta finalidade. O aproveitamento de recursos e conceitos associados ao chamado “teatro ambiental” na encenação de uma ópera barroca, traz à tona a discussão sobre a teatralidade operística, onde a tradição enfrenta contemporaneamente acomodações e rupturas. O sucesso de público e crítica obtido pela montagem, que motivou a ocorrência de uma segunda temporada no mesmo ano, serve como indicativo de uma mudança de paradigma da recepção do evento operístico. Compõem a comunicação: a exibição de trechos da montagem, a leitura de trechos de entrevistas com artistas e produtores envolvidos no evento, realizadas por mim para este trabalho.
Palavras-Chave: ópera; Teatro Municipal de São Paulo; teatro ambiental; Antônio Araújo; Teatro da Vertigem.
CENOGRAFIA DE SANTA ROSA: ESPAÇO E MODERNIDADE
Niuxa Dias Drago (Doutorado/FAPERJ)
Orientadora: Profa. Dra. Evelyn Furquim Werneck Lima)
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos de Criação Cênica – PMC
Comunicação
Esta pesquisa foi estimulada pela ausência de estudos acadêmicos sobre a cenografia de Tomás Santa Rosa Júnior (1909-1956). Apesar de ter concebido o mais famoso cenário do teatro brasileiro, o de Vestido de Noiva (1943), obra de Nelson Rodrigues dirigida por Ziembinski, considerada o marco fundador de nosso teatro moderno, sua obra não foi ainda objeto de análise acurada. Além de reunir o máximo de imagens e informações sobre os cenários, aclarando as inspirações do simbolismo, do construtivismo e do expressionismo europeus, o objetivo é estabelecer vínculos entre a cenografia de Santa Rosa e o Movimento Moderno da Arte Brasileira nas décadas de 30 a 50, buscando revelar as especificidades nacionais de seu trabalho, e também a forma criativa como ele adaptou a modernidade pictórica e arquitetônica à espacialidade do palco. Santa Rosa inaugura no Brasil a forma de trabalhar em conjunto com o diretor, criando o espaço dentro da concepção deste sobre a obra de arte teatral. Além disso, apostava na formação teórica ampla e no estudo das teorias teatrais modernas para instruir-se para a criação cenográfica. Interessa, também, notar que sua obra se constrói num período em que a arte brasileira busca seu caminho entre a vanguarda e a identidade. A modernidade brasileira ainda está para ser definitivamente sintetizada, mas parece evidente que os aspectos da tradição luso e afro-brasileiras são a chave para se entender como as vanguardas européias foram assimiladas por aqui, numa chave que inclui o “autoconhecimento” da nação. A constatação é simples quando observamos a obra pictórica de Santa Rosa, que é também pintor e nunca abandonou completamente o figurativismo. No campo da cenografia, entretanto, permanece a pergunta que buscamos responder com esta. pesquisa. Se é certo que a nova encenação trazida por Ziembinski, e os aspectos expressionistas e simbolistas da moderna dramaturgia de Nelson Rodrigues impulsionaram Santa Rosa à criação de um novo espaço cênico, construtivo e simbólico, é preciso ainda desvendar que aspectos da tradição brasileira se traduziram em sua obra, para que ela encontre seu lugar na síntese da nossa modernidade
Palavras-chave: Santa Rosa, Cenografia, Teatro Moderno, Modernidade Brasileira.
UM CAMINHO ATÉ MATTHEW BARNEY: NAUMANN, WARHOL, BEUYS
Pedro Modesto Lima (Doutorado/CAPES)
Orientadora: Profa. Dra. Lidia Kosovski
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
Comparação de elementos do trabalho do performer, artista plástico e cineasta Matthew Barney com a obra de artistas que anteciparam características de sua poética: Joseph Beuys, com a sua transformação de elementos autobiográficos em performances e instalações, Andy Warhol, com a apropriação e releitura de elementos da cultura pop nos seus filmes e quadros, e Bruce Naumann, com o uso do seu corpo como escultura e a transformação do seu atelier em set de gravação.
Palavras-chave: Performance, Cinema, Videoarte, História da Arte, Escultura.
A EXPERIÊNCIA ACADÊMICA DO PDEE – CAPES
Ramon Santana de Aguiar (Doutorado/CAPES – REUNI)
Orientadora: Profa. Dra. Evelyn Furquim Werneck Lima
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos de Criação Cênica – PMC
Comunicação
Entre os meses de março e junho de 2010, foi realizado o estágio de doutoramento (PDEE) na Universidade de Lisboa, Portugal, Centro de Estudos de Teatro, sob a orientação da Professora Doutora Maria João Brilhante. O estágio teve como principal objetivo, realizar análises iconográficas de imagens teatrais. Ao todo, foram analisadas 51 fotografias de três espetáculos do Grupo de teatro Pagu teatro dança, objeto de tese do estagiário. Durante o período do PDEE, houve a possibilidade de participação de eventos e seminários, bem como a produção acadêmica de material para a escrita da tese.
Palavras chave: teatro, dança, imagens, iconografia.
ILUMINAÇÃO E MONTAGEM
Renato Bandeira de Gouvêa Machado (Mestrado)
Orientador: Prof. Dr. Ricardo Kosovski
Linha de Pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
O estudo apresentado visa trazer uma aproximação entre a iluminação cênica como instrumento articulador da narrativa teatral, focalizando na possibilidade de segmentação do espaço e modificações na continuidade linear temporal, e da montagem cinematográfica, aqui pensada como o instrumento da linguagem cinematográfica capaz de construir a narrativa a partir da colagem de fragmentos distintos. Para pensar com mais precisão, o campo de estudo foi seccionado, trazendo para o primeiro plano o drama teatral e o cinema clássico narrativo. Principal forma de veiculação do cinema, sobre o qual foi edificado o império hollywoodiano, o cinema clássico narrativo se caracteriza pelo ilusionismo. Levar o espectador para dentro do filme, tornando-o um voyer privilegiado de um mundo paralelo que se desenrola diante de seus olhos e ouvidos, imersos numa sala onde todos os seus outros sentidos encontram-se anestesiados, é a chave para a transposição do mesmo ao mundo mágico do filme. Para isso, o cinema clássico narrativo desenvolveu um mecanismo de montagem sobre o qual vamos, no estudo, nos debruçar: a chamada montagem invisível. Fazer com que a narrativa do filme se imponha às descontinuidades, não deixando que o espectador perceba as modificações de espaço e tempo é fundamental para o sucesso do filme clássico. Como a possibilidade que a iluminação traz ao teatro dramático pode ser fundamental na busca desse mesmo ilusionismo que o drama perseguiu e de que forma as descontinuidades passam a fazer parte do pacto entre o espectador do drama teatral e obra são objetos do estudo que procura pensar a iluminação teatral como um mecanismo de edição que primordialmente, não unicamente, aponta para uma construção ilusionista do teatro dramático.
Palavras chave: teatro, cinema, iluminação, montagem, descontinuidade.
O CADÁVER VIVO E O GESTO SOBERANO:UM ESTUDO SOBRE A ALEGORIA E O FRAGMENTO EM
A VIDA É SONHO DE CALDERÓN DE LA BARCA
Rosalice Koenow Pinheiro (Mestrado)
Orientador: Prof. Dr. Walder Souza
Linha de pesquisa: Processos e Métodos da Criação Cênica – PMC
Comunicação
A comunicação aborda o estágio atual da dissertação que objetiva refletir a montagem com fragmentos sob perspectivas da história e política, a partir da expressão alegórica do texto “A Vida é Sonho” de Calderón de La Barca. A análise está sendo conduzida no sentido de sua aplicação na concepção de escritura da cena teatral contemporânea. O questionamento sobre a montagem com fragmentos em suas relações com a recepção levou à busca de outros períodos históricos a fim de iluminar sua prática na atualidade. A reflexão sobre essas questões baseia-se principalmente em estudos críticos de Walter Benjamin, Michel Foucault e Giorgio Agamben que oferecem elementos ao teatro nas fronteiras difusas entre a história, a política, o direito, e a filosofia. Esses limiares acrescentam dados para observação da organização temporal e nexos entre fragmentos, e sobre a produção da corporeidade cênica, p.ex., em relações com o conceito de poder soberano. Entre esses dados encontra-se o profundo imbricamento de morte e fragmento, poder e corpo, com uma região de indecisão ou indiscernibilidade entre regra e anomia. O foco privilegiado do estudo tem sido o de circunscrever um campo de análise que permita uma aproximação do se e como essas relações alojam-se nos elementos temporais e espaciais da estrutura da cena e sua escrita, sem perder de vista o entre com a recepção. Se, e de que forma, o gesto soberano se relaciona com o cadáver vivo do barroco, na cena fragmentada atual, sinaliza a área de incerteza da busca dessa dissertação.
Palavras-chave: cena fragmentada – corporeidade – história – política – tempo.