terça-feira, 24 de agosto de 2010

História e Historiografia do Teatro – HHT

DULCINA DE MORAES E A FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE TEATRO

Alvaro Luis de Sá (Mestrado/CAPES – DEMANDA SOCIAL)
Orientadora: Profa. Dra. Maria de Lourdes Rabetti
Linha de Pesquisa: História e Historiografia do Teatro – HHT
Comunicação

Dulcina de Moraes era considerada na década de 50 “a primeira dama” do teatro nacional, convencida da necessidade de investir na profissão do ator estava convencida da necessidade de criar uma escola de teatro. Por isso no dia 7 de Julho de 1955, inaugurava oficialmente a academia Fundação Brasileira de Teatro. A FBT foi um dos empreendimentos mais arrojados feito por um profissional de teatro no Brasil. Dulcina após uma visita a Buenos Aires em 1955, onde conheceu a Casa Del Teatro, retornou ao Brasil disposta a dirigir seus esforços à formação técnica dos atores Brasileiros. Outras instituições de formação teatral já existiam no Rio de Janeiro quando os cursos da Fundação foram criados, Mas a FBT conseguiu atrair mais alunos por causa da qualidade dos seus cursos oferecidos e do corpo docente formado por nomes importantes do teatro da época. Durante treze anos seguidos a FBT funcionou no Rio de Janeiro, formando alguns dos mais importantes atores, diretores, cenógrafos e críticos que atuaram ativamente no teatro brasileiro. No final de década de 60 por causa de dificuldades financeiras, Dulcina resolveu transferir a FBT para Brasília aonde continua formando atores até hoje.

Palavras-chave: Dulcina, Escola, Formação, Profissionalização, Atores.



ASPECTOS DO TEATRO DE ANIMAÇÃO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO DO SÉCULO XIX

Ana Paula Brasil (Mestrado/CAPES)
Orientadora: Profa. Dra. Evelyn Furquin Lima
Linha de Pesquisa: História e Historiografia do Teatro – HHT
Comunicação

O presente artigo aborda os aspectos formais e estéticos do teatro de animação, bem como as relações com a cidade do Rio de Janeiro no que se refere aos contextos sociopolítico e espacial-geográfico do gênero teatral em questão, considerando teatro de animação como qualquer espetáculo performático no qual formas plásticas e visuais são animadas, geralmente valendo-se do uso de músicas, textos ou enredos. Incluídos nesta categoria figuram: as lanternas mágicas, espécies de projetores ópticos utilizados para contar histórias, principalmente fantasmagóricas; o bumba meu boi, proibido na cidade no decorrer do século IX; os teatros de bonecos das feiras, em especial nas comemorações do Divino Espírito Santo; as Mágicas, espetáculos teatrais que utilizavam recursos cenográficos de aparições, metamorfoses e pirotecnia; os números de ventriloquia; os espetáculos teatrais ambulantes com bonecos; o popular Theatro João Minhoca e os teatros de Guignol, implantados na cidade no período das reformas urbanísticas sob o governo do Prefeito Pereira Passos. Sob o recorte temporal do século XIX são tratadas as mudanças político e sócio econômicas da época, sua repercussão na estrutura urbanística e as conseqüências para o teatro de animação como um todo na cidade. O exame da metodologia de pesquisa é exposto por meio do tratamento das fontes primárias e secundárias e das referências de época. A partir das evidências já encontradas se apresenta um mapeamento provisório do gênero teatral de animação na cidade do Rio de Janeiro dos Oitocentos.

Palavras-chave: espaço teatral, teatro de animação, teatro de bonecos, historia do teatro brasileiro, século XIX.



O NASCIMENTO DO TEATRO BRASILEIRO MODERNO: MODERNISMO E NACIONALISMO NO PENSAMENTO DE DÉCIO DE ALMEIDA PRADO

Berilo Luigi Deiró Nosella (Doutorado)
Orientadora: Profa. Dra. Maria de Lourdes Rabetti
Linha de Pesquisa: História e Historiografia do Teatro – HHT
Comunicação

A comunicação almeja contribuir para a análise do pensamento de Décio de Almeida Prado sobre o “nascimento” do teatro nacional tendo como foco a compreensão do que ele denomina Teatro Brasileiro Moderno. Para tal, propõe-se aqui um olhar sobre pequenas “fissuras” presentes na obra historiográfica do crítico, procurando desvendar em seu pensamento traços ideológicos de certa visão “de elite”, revelando resquícios do projeto de modernização e civilização progressista da burguesia nacional do século XIX perpetuados tanto no projeto modernista paulista quanto na visão teórico-crítica de Décio de Almeida Prado.

Palavras-chave: Décio de Almeida Prado, Formação Nacional, Teatro Brasileiro Moderno, Comédia Nacional, Modernismo.




TEATRO DOS QUATRO: HERANÇAS E INFLUÊNCIAS A PARTIR DE UMA POSSÍVEL FILIAÇÃO A UM TEATRO DE TEXTO

Daniel Schenker Wajnberg (Doutorado)
Orientadora: Profa. Dra. Tania Brandão
Linha de Pesquisa: História e Historiografia do Teatro – HHT
Comunicação

A proposta central do Teatro dos Quatro – fundado e mantido por uma sociedade formada por Sergio Britto, Paulo Mamede e Mimina Roveda entre 1978 e 1993 (que, nos primeiros momentos, contou com quartos integrantes, José Ribeiro Neto e depois Dema Marques) – era bastante clara, desde o início da implantação do projeto: investir em montagens de textos renomados, que valorizassem as qualidades dramatúrgicas em detrimento de eventuais visões diretoriais que se sobrepusessem a elas, interpretadas por uma vasta galeria de atores, formada entre os profissionais mais importantes em atividade no Brasil. Nos anos iniciais do Teatro dos Quatro, os sócios enfrentaram dificuldades econômicas, tanto nos custos da reforma – que contou com projeto de Fernando Pamplona e Thompson Motta, responsáveis pela concepção de um espaço de configuração propositadamente móvel, marcado por várias possibilidades de disposição palco/platéia (italiano, arena, elisabetano) – quanto na sustentação do teatro a partir de saldos econômicos nem sempre favoráveis. Os sócios empregaram recursos próprios até conseguirem o apoio do Banco de Desenvolvimento do Rio (BDRio) e, mesmo assim, enfrentaram obstáculos, a ponto de terem interrompido a produção de espetáculos em 1981, dada a resposta financeira apenas razoável alcançada com a montagem de Os Órfãos de Janio, de Millôr Fernandes, e a insatisfatória obtida com Morte Acidental de um Anarquista, de Dario Fo. O patrocínio da Shell surgiu em 1983 e destinava-se apenas à encenação de Rei Lear, de Shakespeare, posterior a um grande marco do Teatro dos Quatro: a montagem de As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, de Rainer Werner Fassbinder (autor já visitado pela sociedade, com boa repercussão, em Afinal, uma Mulher de Negócios). A partir daí, a sociedade segue trajetória promissora – pelo menos até 1991, ano de O Baile de Máscaras, segunda peça de Mauro Rasi apresentada no Teatro dos Quatro (a primeira, A Cerimônia do Adeus, em 1986). Mephisto, realizada em conjunto com Miguel Falabella e José Wilker, foi a última produção da sociedade. Depois de 1993, o teatro passou a ser alugado para outras encenações, tendo sido finalmente vendido em 2007.

Palavras-Chave: Repertório, Texto, Direção, Sociedade, Refinamento



TEATRO DO ESTUDANTE DO BRASIL - UM ESTUDO DE CASO DO MOVIMENTO AMADOR NA INSTAURAÇÃO DO TEATRO BRASILEIRO MODERNO

Fabiana Siqueira Fontana (Doutorado)
Orientadora: Profa. Dra. Tania Brandão
Linha de Pesquisa: História e Historiografia do Teatro – HHT
Comunicação

Esta pesquisa pretende ampliar o debate acerca da instauração e consolidação do teatro moderno no Brasil, através de uma discussão que tem como centro a associação entre Estado, teatro, arte e cultura nacional. Para tanto, será utilizado como objeto de estudo o Teatro do Estudante do Brasil (TEB) - grupo amador criado por Paschoal Carlos Magno, em 1938, no Rio de Janeiro. Pioneiro neste processo de revisão do teatro nacional, o TEB tinha como objetivo apresentar textos cânones da literatura dramática, de tal forma a constituir-se um projeto artístico-civilizatório que visava à elevação da cultura nacional através da educação estética do povo. O que Paschoal Carlos Magno almejava era contribuir para a depuração do gosto nacional, a fim de que o contingente do país se tornasse mais refinado e apto a construir um Brasil que começava a dar os seus primeiro passos enquanto um Estado moderno, a partir da política centralizadora de Getúlio Vargas. Desta forma, o TEB foi um dos responsáveis por criar o estatuto do teatro moderno no Brasil, ao dar uma finalidade cívica à arte. Foram duas as principais contribuições técnicas deixadas como herança pelo TEB e obrigatórias para que a modernidade insurgisse no teatro nacional: a imposição da figura do diretor na nossa cena teatral, o que garantia o espetáculo enquanto unidade; e uma nova classe de atores, mais direcionada ao exercício do intérprete que compõe um personagem. Apesar desta sua importância histórica, tanto no que concerne ao teatro moderno enquanto uma estética da cena, como também a um projeto político, o TEB ainda não foi tema de uma obra que buscasse definir a sua trajetória tendo em vista o contexto cultural de sua época. A atenção que esta pesquisa reclama ao TEB é, antes de tudo, consequência do trabalho realizado no Centro de Documentação da Funarte: o tratamento de um vasto conjunto documental ainda inédito, o Acervo Paschoal Carlos Magno.

Palavras-chave: Teatro brasileiro moderno, Paschoal Carlos Magno, Teatro do Estudante do Brasil, amadorismo teatral, política cultural.



A TRAJETÓRIA DO TEATRO NO ANTIGO SUL DE MATO GROSSO OU
AS ORIGENS CONCEITUAIS DO TEATRO DE MATO GROSSO DO SUL

Fabricio Goulart Moser (Mestrado)
Orientadora: Profa. Dra. Tania Brandão
Linha de Pesquisa: História e Historiografia do Teatro – HHT
Comunicação

O Teatro de Mato Grosso do Sul adquiriu recentemente espaços fundamentais para auxiliar sua trajetória profissional. A afirmação refere-se a implementação de dois cursos públicos e inaugurais de instrução superior: o bacharelado/licenciatura em Artes Cênicas/Teatro – UFGD (2009) e a licenciatura em Artes Cênicas e Dança – UEMS (2010). Estes núcleos independentes nascem com o objetivo de qualificar agentes, ao mesmo tempo em que podem desenvolver a formação de público, apoiar a produção artística e fundamentar a reflexão sobre a teatralidade da região. Embora sejam conquistas recentes, em processo de institucionalização, o movimento teatral que simbolicamente solicita, constrói e permeia estes cursos, se manifesta na região antes mesmo da instalação do estado em 1979. Isto pode ser comprovado através de diferentes registros históricos, onde encontramos informações sobre manifestações teatrais com relevante amadurecimento quando a região era ainda o sul do antigo Mato Grosso. Neste sentido, este cenário profissional, que leva seu movimento de teatro a olhar para frente, o expandindo e o institucionalizando a nível superior, também se constrói de forma temporal reversa, fazendo com que este mesmo movimento olhe para trás, revisitando seu processo de construção. Esta segunda visão, nossa opção no momento, aponta para uma discussão conceitual sobre a origem, as influências e as apropriações deste movimento de teatro no seu processo de fixação. Acredita-se, que esta discussão só pode encontrar referências para uma resposta concreta por meio da reflexão historiográfica: é com este pacto que queremos mapear as origens conceituais do teatro sul-mato-grossense. O campo inicial de análise estará no movimento teatral ocorrido antes da formação do estado, no antigo sul de Mato Grosso. Para tanto, se passa em revista o conteúdo documental que registra a história do Teatro Brasileiro, bem como do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, considerando suas particularidades e discursos. Como considerações iniciais, parece pertinente levar em conta que este espaço, recentemente “colonizado”, pressupõe, como operações fundamentais da construção do seu teatro, o diálogo e a troca entre as poéticas do “sertão”, das “fronteiras” e do “litoral”.

Palavras-chave: Teatro Sul-mato-grossense, Teatro Brasileiro, Crítica Teatral, História do Teatro Brasileiro, História do Brasil.



ICONOGRAFIA TEATRAL: NOVAS NARRATIVAS HISTORIOGRÁFICAS

Maria Filomena Vilela Chiaradia (Doutora)
Orientadora: Profa. Dra. Maria Helena Werneck
História e Historiografia do Teatro
Comunicação

O estudo das imagens de cena de duas companhias teatrais que atuaram na década de 1950 no gênero teatro de revista – a de Walter Pinto no Rio de Janeiro e a de Eugénio Salvador em Lisboa – insere nossa investigação em campo disciplinar ainda muito pouco explorado pela historiografia do teatro no Brasil, ou seja, a iconografia teatral. A pesquisa da tese nos trouxe a oportunidade de aprofundar o conhecimento teórico e metodológico oferecido por essa disciplina de maneira a permitir a construção de uma nova narrativa historiográfica onde o elemento visual se torna ponto central de reflexão e análise e não mais mera ilustração de um texto. Compreendemos como fotografia de cena aquela que reflete não apenas a cena em ato, mas que também dar a ver o modo de produção teatral em suas diversas etapas - ensaios, confecção de cenários e figurinos etc. Apreender o discurso visual construído na trajetória dessas imagens por seus agentes produtores desvela diferentes relações entre a produção teatral e a produção fotográfica da cena. Nessa perspectiva, além da tese propriamente dita, buscamos a experiência de outra linguagem, em CDRom, como um subproduto que se anexa a tese, mas que não a repete, dando dimensão variada ao vasto corpus iconográfico pesquisado. Desta forma foi possível explorar de maneira diferenciada alguns conjuntos fotográficos evidenciando a especificidade da cena teatral do teatro de revista e os caminhos de sua circulação. São percursos investigativos que se complementam (tese e CDRom) e buscam ampliar o escopo do objeto pesquisado.

Palavras-chave: Iconografia teatral, Fotografia de cena, Teatro de revista, Walter Pinto, Eugénio Salvador.



O TRAÇO DA CARICATURA NA CENA DA REVISTA

Maria Odette Monteiro Teixeira (Doutorado)
Orientadora: Profa. Dra. Flora Süssekind
Linha de Pesquisa: História e Historiografia do Teatro – HHT
Comunicação

A presente pesquisa investiga a relação entre a caricatura - e seus autores - e o Teatro de Revista brasileiro da primeira década do século XX até os anos 1940, período em que constam entre os dramaturgos do Teatro de Revista, os nomes dos três artistas originários do desenho de humor, notadamente: Luiz Peixoto (1889-1973), Raul Pederneiras (1874-1953) e José Carlos de Brito Cunha - ou J. Carlos (1884 - 1950). Esses artistas polivalentes, passando do desenho ao palco, retrataram com humor e inteligência a vida da cidade do Rio de Janeiro dos períodos denominados República Velha à Era Vargas. Em seus traços é possível perceber as contradições sociais daquele momento histórico. As situações que criam em suas charges permitem que se apreenda a imprecisão da imagem civilizada e organizada que as reformas urbanas da república imprimiram sobre a cidade. Essa teatralidade vista no revolvimento urbano - tanto físico quanto social - observado nas ruas do Rio já justificaria uma pesquisa. No entanto, para além dessa dramaturgia imagética existe uma dramaturgia textual testemunhando uma ligação efetiva dos caricaturistas com o universo do teatro. Após pesquisa de campo na busca desses textos, será elaborada uma análise no sentido de identificar elementos que relacionem entre si essas duas linguagens, e assim entender de que modo o suporte gráfico do desenho caricatural pôde, em algum sentido, alimentar e enriquecer a encenação. O que se quer saber é em que medida o universo plástico da caricatura e a sua tipificação do ser humano colabora na construção dos quadros do Teatro de Revista, como também se nos elementos constituidores dos caricaturais personagens do teatro de revista (chamados personagens tipo) há traços que se originariam da deformação sugerida na caricatura. O objetivo é verificar se há um deslocamento do desenho para o palco.

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