CORPO SEM MUROS: CORPO E CIDADE NAS PERFORMANCES POLÍTICAS
Andrea Maciel Garcia (Doutorado/Capes)
Orientadora: Profa. Dra. Beatriz Resende
Linha de Pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
O Corpo sem Muros analisa nas intervenções urbanas contemporâneas, questões relativas aos processos de criação na Performance que convergem inevitavelmente, para um discurso do corpo e, observa a queda de fronteiras entre o corpo do performer e as tensões existentes no espaço público. Estão em foco neste estudo as dimensões interculturais das Performances (Schechner), as identidades culturais contemporâneas (Stuart Hall), as políticas da linguagem e de novas tecnologias, e a natureza ritual do corpo do artista intervindo no espaço urbano.
Partindo de uma perspectiva pós-euclidiana da relação corpo/espaço, estabeleço analogias, ecos e ressonâncias entre a figura do flâneur revisto por Walter Benjamin e a do situacionista conceituada por Debord, e as corpografias e intervenções do presente. O cruzamento das diferentes instâncias de observação da relação entre corpo e cidade - que se desdobram de uma urbanidade moderna até a ambiência da cidade contemporânea – levanta algumas perspectivas comuns para analisar a ação política do corpo em performance na cidade como: as desteritorializações (Deleuze) e errâncias (Berenstein). As performances e corpografias investigadas se estendem ainda por um vasto campo de experimentação, e apontam para uma série de vetores e agenciamentos das relações existentes entre corpo e cidade. Num primeiro momento observo os processos de subjetivação da cidade, e suas relações com as alegorias benjaminianas de ruína, multidão e flânerie. Em seguida evoco a noção de Cidade Imaterial e suas inusitadas configurações rizomaticas das micro políticas do cotidiano. E num terceiro movimento, analiso nas performances de Guilhermo Gomez-Peña e Tania Bruguera, a existência de um corpo urbano para além da cidade, com a intenção de discutir nesses processos a relação entre suas produções estéticas, e as políticas do corpo como extensão da presença do homem nas cidades.
O PALHAÇO DE FOLIA DE REIS E O DIABO FESTIVO NA AMÉRICA LATINA: REPRESENTATIVIDADE, TEATRALIDADE E RELIGIOSIDADE
Aressa Egly Rios da Silveira (Doutorado)
Orientador: José Luiz Ligiéro Coelho
Linha de Pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
Esta comunicação tem como objetivo, apresentar o projeto de pesquisa que venho desenvolvendo no doutorado, iniciado em 2010. Ao longo dos sete anos de pesquisa sobre Folia de Reis, tendo como foco a figura do palhaço (personagem mascarado de aspecto cômico e grotesco, que representa os soldados do rei Herodes, que conforme relato popular e citados no Evangelho, perseguiram o Menino Jesus, encarnando os “traidores de Cristo” e por isso são associados à Judas, à Exu ou ao diabo dentro da fé popular), foi possível observar as diferentes representações simbólicas assumidas por esse personagem. Durante a pesquisa de mestrado, identificou-se dentro do universo simbólico do palhaço, uma recorrente associação à figura do diabo, feita pelos próprios foliões de Reis e palhaços em depoimentos e entrevistas. Não só em sua simbologia, mas também em sua iconografia e performance, o personagem do palhaço assume esse papel representativo do diabo. Diante dessa constatação, e após estudos realizados no Peru e na Colômbia, iniciou-se uma pesquisa sobre o tema, que resultou no projeto de doutorado, que pretende investigar e analisar, dentro do universo simbólico e representativo que o palhaço assume nas Folias de Reis brasileiras e nas festas de Reis realizadas no Peru (Bajada de Reyes) e na Colômbia (Carnaval del Diablo), aquele que diz respeito à sua associação com a figura do diabo. Nessas festas latino-americanas o personagem do diabo está profundamente enraizado na cultura popular, ele reflete o pensamento da cultura popular e é a sua síntese, assumindo um caráter festivo, sarcástico, alegre e transgressor e que traz em si a própria síntese do conflito do bem contra o mal, apresentando sagrado e profano como opostos complementares. É o diabo que subverte a própria simbologia a ele atribuída pelo cristianismo. É aquele que inverte e subverte momentaneamente a ordem social, suas hierarquias e que nos faz refletir sobre a própria condição humana. Assim, busca-se analisar a figura do diabo festivo na América, seu simbolismo, representatividade, teatralidade e sua capacidade de permear as manifestações, as culturas e as identidades, transformando-as e ressignificando-as e cumprindo assim um papel que é também social.
Palavras-chave: cultura popular, Folia de Reis, performance, palhaço, diabo festivo.
A REVOLTA SEGUNDO CAMUS
Helena de Castro Amaral Vieira (Doutorado/CAPES)
Orientador: Prof. Dr. Charles Feitosa
Linha de pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
Partindo do pressuposto de que toda escolha estética tem uma dimensão política, o presente trabalho apresentará o primeiro conceito fundamental da tese: O corpo revoltado; qual seja, a de Revolta do filósofo e escritor Albert Camus, que por sua vez dialoga com a ideia de dois autores caros ao nosso trabalho: Nietzsche e a vontade de potência, e a reflexão sobre revolução de Hanna Arendt. A partir desses conceitos procuraremos problematizar a ideia política que envolve a dança contemporânea de nossos dias. O Homem Revoltado de Albert Camus marcou rompimento com a ideologia do partido comunista francês e, conseqüentemente uma longa amizade e parceria com o filósofo existencialista Jean Paul Sartre. Camus não arriscaria perder esse grande parceiro, não fosse sua certeza absoluta de que, passados alguns anos, sua tese sobre a Revolta seria reconhecida. Tomamos de empréstimo a ideia e impusemos-lhe revolta como uma consciência aguda, um “ataque” de lucidez que rompe com convenções e certezas e transforma o desejo em discurso, levando a cabo uma escrita e tornando o afeto fonte criativa e o discurso decorrente dele um marco de ruptura e autonomia. A ideia de revolução é, para nosso trabalho, algo que se opõe ao conceito que iremos trabalhar, pois revolução, ao nosso juízo, não é uma transformação. Não pensamos em revolta como conflito, guerra, heroísmo, pátria etc. Revolta aqui não é manifestação contra a ordem estabelecida, mas sim, compreensão do dissenso como fonte criativa de produção de discurso. Assim como Nietzsche a revolta de que fala Camus nada tem a ver com ressentimento. Trabalharemos revolta como um principio superabundante e de energia. Ressentimento, segundo Nietzsche, é sempre ressentimento contra si mesmo, já o revoltado, recusa-se a deixar que toquem naquilo que ele é. O revolucionário, na ideia de Nietzsche (e de certa maneira em Camus e Arendt) propõe um niilismo negativo ao afirmar os valores ocidentais modernos, baseados, ao seu ver, numa crença ingênua no progresso da ciência e na igualdade dos seres humanos.
Palavras-chave: Revolta, Dança, Política, Revolução e filosofia.
TEATRO E CIBERNÉTICA: O [DES] ENRAIZAMENTO DE SUBJETIVIDADES TRANSPOSTAS POR FLUXOS DE DADOS
Jaqueline Rodrigues de Souza Raymundo (Mestrado/FAPERJ/Bolsa Nota10)
Orientadora: Profa. Dra. Ana Teresa Jardim Reynaud
Linha de Pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
Discursos recentes sobre possíveis relações entre arte e tecnologia, muitas vezes, parecem deflagrar um debate sem precedentes históricos. São leituras reducionistas e tendenciosas que articulam extremos binários – tanto uma crítica feroz, como um fetichismo de exaltação às tecnologias – que afastam possibilidades de entendimento no “fazer nascer uma obra”. Uma das percepções mais características do fazer artístico, desde meados do século XX, é a de que o “progresso” do desenvolvimento tecnológico e o avanço do domínio midiático deslocaram a posição do “homem” do centro do fazer poiético, permitindo que este fosse substituído pelas “máquinas”, como um simples usuário que se apropria utilitariamente das mesmas. Qual deveria, então, ser o papel do “artista inventor”? Nesse sentido, pretende-se trazer à reflexão o debate de algumas questões que se atravessam nos territórios do teatro e da cibernética. Embora, muitas das experimentações artísticas próximas à cibernética estejam relacionadas às artes visuais, à dança, à música etc., é nas aparentes fronteiras de instabilidade entre teatro e cibernética, nas suas complexidades e inter-relações, que fica cada vez mais latente a questão: o que é o teatro? Este estudo não tem a pretensão de dar conta de uma pergunta tão complexa, que detém uma multiplicidade [elevada ao infinito] de respostas constituídas por toda sua história. A proposta é de explorar algumas abordagens teóricas, conceituais, históricas e relacionais, que possam contribuir para uma breve visão panorâmica de relações entre arte e tecnologia, a partir da aproximação de estudos do teatro e da cibernética.
Palavras-chave: Teatro, cibernética, arte, tecnologia, digital.
AUTORIA DE BRINCANTES MASCARADOS: QUESTÕES DE IDENTIDADE NAS PERFORMANCES CARNAVALESCAS TRANSMONTANAS E MARANHENSES
Juliana Bittencourt Manhães (Doutorado)
Orientador: Prof. Dr. Zeca Ligiéro
Linha de Pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
Pretendo investigar a figura do brincante (dançarino, músico e cantador) das festas carnavalescas da região Transmontana Portuguesa e do Maranhão no Brasil. Este personagem será compreendido como o criador de sua performance, sua movimentação; e será analisado, a partir do uso que faz com seu próprio corpo durante as festividades, sua formação espacial e indumentária. Através dos conceitos de potência e profanação de Agamben (2007), fortalecer a idéia de que os performers de festas populares possuem uma corporalidade autoral, autônoma, livre dos padrões formais e por isso se refazendo durante todo processo festivo. Se pensarmos nas marcas corporais permanecidas com as histórias e memórias, em confronto com as novas tecnologias, como a globalização vista através da televisão, dos rádios e a comunicação virtual, estabeleceremos novos códigos do uso do corpo. E o interesse neste artigo é encontrar novas chaves interpretativas para questões ligadas a transgressão e a identidade expressa na corporalidade desses brincantes mascarados criando interlocuções com conceitos de performance de Schechner (2003) e Turner (1974). Este brincante será observado a partir da inserção de seus gestos, no contexto da festa do carnaval, buscando interações entre as regiões e questões ligada a espetacularização da festa, a representação ganhando formas e se apropriando do lugar da “brincadeira”, do jogo necessário para o improviso do artista brincante. É necessário discursar sobre essas autorias que fogem de padrões canônicos, criando suas próprias amarrações, ou seja, tecendo seu sentido corporal, através de suas marcas autorais, suas experiências de vida. Através dos contextos históricos e sociais sobre as festividades do carnaval, com os caretos transmontanos e os fofões maranhenses, formatar uma reflexão sobre a criação autoral das suas performances. Utilizar também o conceito da “partilha do sensível” de Ranciére (2005), buscando a compreensão de como essas comunidades compartilham seus tempos festivos, suas tradições e transformações.
Palavras-chave: brincante, jogo, autoria, corpo, performance ritual.
A PERFORMANCE DA PLENITUDE E DA AUSÊNCIA
Michele Campos de Miranda (Mestrado/CAPES)
Orientador: Prof. Dr. José Luiz Ligiéro Coelho
Linha de Pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
Este artigo visa observar a atuação do encenador paraense Luís Otávio Barata através de seu teatro político em Belém e de sua reclusão na cidade de São Paulo, no que denominamos respectivamente performance da plenitude e performance da ausência. O valor político da existência de Luís Otávio Barata está escancarado nas realizações e rastros que ele deixou, não apenas na sua obra artística, mas também nos movimentos que encabeçou no período de 1976 a 1998. Assim, nosso olhar parte do entendimento do homem político como uma forma de plenitude, ou seja, de atuação plena e concreta no contexto sociocultural da cidade (SENNETT, 1988). Aqui, se pretende observar o período que compreende a presença de Barata na cidade de Belém, sua produção à frente do grupo Teatro Cena Aberta – TCA, e seu protagonismo em movimentos como o que gerou a fundação do Teatro Experimental Waldemar Henrique em 1979, entre vários outros desdobramentos. O homem politizado, sem o contexto da esfera pública, ou seja, numa sociedade atomizada e marcada pelo individualismo, é um desencaixado resignado ao refugo (BAUMAN, 1998). A injunção de diversos fatores políticos levaram Barata a deixar não só a cidade, mas sua própria identidade, passando a viver, de 1999 a 2006, quando faleceu, como um performer de si mesmo, anônimo na imensidão da fuligem sampaulina. A performance da ausência é um jogo intencionalmente engajado, porém, sem estabelecer qualquer compromisso objetivo com a própria experiência, que se entende aqui não como um processo laboratorial, mas como o jogo cotidiano (SCHECHNER, 2002; HUIZINGA, 2007). O que para muitos conterrâneos parecia um ato de coragem ou loucura, entendemos como a experiência de maior maturidade de um artista, o que Said (2009) denomina “estilo tardio”, uma performance que se dá em exílio – ausência – numa sobrevivência além do aceitável e do normal, entre o presente e o que foi deixado para trás. Esta pesquisa se baseou na coleta de diversos tipos de materiais, entrevistas, e numa vivência etnográfica em campo.
Palavras-chave: Luís Otávio Barata, performance da plenitude, performance da ausência, teatro político, Belém.
ATOR E CÂMERA
Rafael Conde (Doutorado)
Linha de Pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
O objetivo geral da pesquisa proposta é o estudo das dramaturgias audiovisuais contemporâneas a partir dos métodos de encenação e interrelação entre ator e câmera. O estudo toma como objeto a encenação audiovisual centrada no trabalho do ator quando moldado pelas intermediações técnicas entre “palco” e “platéia”. A pesquisa busca investigar a tese de que o contínuo desenvolvimento das tecnologias audiovisuais e o surgimento de novos dispositivos e procedimentos de realização e difusão, transformam as dramaturgias tradicionais e as técnicas de encenação para a câmera, com novas formas de preparar e construir a mise-en-scène do ator. A pesquisa coloca as seguintes questões: Diante da realidade tecnológica em constante transformação, como se trabalha a encenação do ator para a câmera? A cena expandida do audiovisual proporcionou algum impacto no ficcionar? As dramaturgias tradicionais e contemporâneas, conhecidas até aqui, estão sendo transformadas por esses novos meios e procedimentos audiovisuais? O trabalho do ator, a relação do ator com a câmera, mediada pelo universo desses meios de produção e difusão audiovisuais, transformou técnicas de direção, interpretação e construção dramatúrgica?
Palavras-chave: Ator, Teatro, Cinema, Dramaturgia, Encenação.
CORPOS EM SOMBRAS: A VISIBILIDADE NEGRA NA PRÁTICA PERFORMATIVA DO CAXAMBU
Sara Passabon Amorim (Doutorado)
Orientador: Prof. Dr. Zeca Ligiero
Linha de pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
A pesquisa de doutorado, com inicio em 2010, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) é o estudo das práticas performativas do Caxambu realizadas em comunidades afro-descendentes, no sul do Espírito Santo, de modo a verificar como essas práticas – que apresentam uma forma mista de dança de roda, música, canto e alguns princípios religiosos, marcados pela percussão de tambores – existem, persistem e são re-construídas pela comunidade e elaboradas pelo Performer, e até que ponto elas interferem e recebem interferências no processo social, individual, político e econômico na comunidade. O objeto da pesquisa se define na relação que se pode estabelecer entre a prática performativa do sujeito praticante, a se fazer visível numa sociedade contemporânea, e o Caxambu existente no sul do Espírito Santo, visto como folguedo e uma manifestação que desenvolve hábitos e costumes de uma comunidade buscando: Identificar/analisar os modos como as práticas performativas do Caxambu, enfatizam o corpo do performer como elemento motriz, de expressão artístico-estético na sociedade contemporânea. O trabalho de pesquisa é fundamentado na perspectiva da antropologia teatral de Eugênio BARBA, no “estudo do comportamento sociocultural e fisiológico do ser humano numa situação de representação”, que vai dialogar com a etnocenologia de PRADIER, que busca contemplar a universalidade das práticas espetaculares, utilizando os conceitos de práticas performativas, artes performativas, performer e pré-expressividade; o estudo também será respaldado nos estudos sobre performance, de Victor Turner e Richard Schechner que fazem a junção da arte com a antropologia, em que a ação ritualizada do drama social e do drama estético é tema de estudos e espetáculos.
Palavras-chave: corpo, caxambu, prática performativa, comunidade afro descendente, visibilidade.
A TRADIÇÃO DO GRIOT E SUA TRAJETORIA ATÉ O BRASIL: UMA BUSCA PELOS SEUS ELEMENTOS E A UTILIZAÇÃO DESSES NA PRÁTICA PERFORMÁTICA DO ATOR
Fátima Verônica Santos (Mestrado)
Orientador: Prof. Dr. José Luiz Ligiero
Linha de Pesquisa: Estudos de Performance, discursos do corpo e da imagem – PCI
Comunicação
Este projeto consiste em buscar os saberes da tradição do Griot de Burkina Faso na África Ocidental, refletindo e se apropriando de seus elementos, observando seus atributos, sua presença cênica, seu cotidiano, seu papel dentro de uma sociedade globalizada bem como seu engajamento como contador de historias. Ao investigar a trajetória do Griot até o Brasil percebe-se como sua tradição tem se tornado uma nova herança afro brasileira se fazendo presente em leis de incentivo, editais e pontos de cultura. Pretende-se abordar o universo prático e teórico do Griot, ressaltando o quanto este pode contribuir e favorecer a autonomia na criação do trabalho cênico, na presença singular e pessoal e na autoridade com a palavra integrando a atuação, a musica e a dança e valorizando a prática performática do ator.
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