terça-feira, 24 de agosto de 2010

Poéticas da Cena e do Texto Teatral - PCT

INSURREIÇÃO: ENTRE REPRESENTAÇÃO E PERFORMANCE

Carina Maria Guimarães Moreira (Doutorado)
Linha de Pesquisa: Poéticas da Cena e do Texto Teatral – PCT
Comunicação

O trabalho que aqui se propõe pretende trazer uma reflexão a cerca da experiência vivida pelos alunos do programa Arte, Educação e Cidadania na montagem do espetáculo Insurreição. O referido espetáculo enfoca a realidade afro-brasileira na região do Vale do Paraíba fluminense do século XIX, transformando a história de uma fuga de escravos acontecida em Vassouras, no ano de 1838, em uma trama que fala sobre a vida de africanos e afrodescendentes na diáspora. O texto dramatúrgico foi baseado no argumento do autor Flávio dos Santos Gomes em seu livro Histórias de Quilombolas, assim como em importantes obras sobre a experiência de africanos bantos no sudeste dos oitocentos, além dos processos e inventários da época, depositados no Centro de Documentação Histórica, da Fundação Educacional Severino Sombra. O exercício de montagem do referido espetáculo, tendo sido realizado com adolescentes da periferia da cidade de Barra do Piraí-RJ, em sua maioria moradores da região há gerações, em sua maioria afro-descendente, significou um resgate profundo e significativo no que se refere ao respeito ao outro e à potencialização da auto-estima, num exercício de construção de uma identidade história comumente perdida. Para realização de tal trabalho, partiu-se de uma preocupação latente com os estudos sobre a encenação e a formação de uma identidade estético-cultural e sua relação com nossa cena contemporânea. Propõe-se, a partir desta experiência cênica, voltar o olhar ao embate entre representação e performance nas teorias contemporâneas do teatro e para como estas podem frutificar numa prática que busque compreender e formular esteticamente uma identidade cultural.

Palavras-chave: Representação, Performance, Identidade Cultural, Identidade Afro-brasileira, Insurreição de 1938.



PROCEDIMENTOS DA MEMÓRIA NA DRAMATURGIA DE INVEJA DOS ANJOS

Fernando Maatz Ferreira da Costa (Mestrado)
Orientadora: Profra. Dra. Maria Helena Werneck
Linha de Pesquisa: Poéticas da Cena e do Texto Teatral – PCT
Comunicação

O projeto de pesquisa O Processo de Criação do Texto Inveja dos Anjos do Armazém Cia de Teatro tem por objetivo desvendar os procedimentos utilizados pelo atores e pelos dramaturgos para a criação do texto final do espetáculo. Nesta comunicação será abordada a etapa da pesquisa que tem a intenção de compreender como o conceito de memória e seus desdobramentos aparecem no texto Inveja dos Anjos. Para tanto, o texto supracitado será cotejado com o pensamento de autores que refletiram sobre a memória e seu uso em criações artísticas, tais como Michael Foucault e Gilles Deleuze. O uso da memória na criação será discutido a partir das referências já presentes no texto Inveja dos Anjos – buscando, assim, delimitar uma escrita cênica onde a memória, além de artifício poético, é também responsável pela estruturação da construção dramatúrgica.

Palavras-chave: Teatro Brasileiro, Armazém Cia de Teatro, Memória e Dramaturgia, Criação Dramatúrgica, Inveja dos Anjos.



A TIPOLOGIA DAS MÚSICAS NAS OFICINAS TEATRAIS
DO GRUPO TÁ NA RUA

Jussara Trindade Moreira (Doutorado/CAPES)
Orientador: Prof. Dr. José Da Costa Filho
Linha de pesquisa: Poéticas da Cena e do Texto Teatral – PCT
Comunicação

Desde o início de sua criação, o grupo Tá Na Rua desenvolve um trabalho de formação de atores paralelo às atividades propriamente artísticas. Estas oficinas podem ser descritas como um ambiente rico em estímulos - música, figurinos, adereços – com os quais é convidado a interagir livremente. O trabalho se caracteriza, grosso modo, como uma proposta de exploração lúdica do ambiente, na relação com o outro, com os objetos disponíveis, em contato permanente com estímulos musicais diversos. Ao longo do tempo, as experiências musicais advindas dessas oficinas teatrais levaram os atores do grupo e principalmente, os seus sucessivos Disk-Jockeys, à construção de um saber que, embora empírico, oferece um importante ponto de partida para a minha pesquisa. Trata-se de uma tipologia informal das músicas, em que estas são utilizadas com fins eminentemente práticos – induzir os atores a certos tipos de movimentos, formações espaciais, ao jogo coletivo etc – levando à suposição de que propriedades musicais específicas podem levar o ator, ou mesmo um coletivo, a movimentos e gestos fundamentais para o desenvolvimento da teatralidade, compreendida pelo grupo Tá Na Rua como expressividade corporal e disponibilidade para improvisar. Esta tipologia musical abrange, basicamente, “músicas para pernas e cintura”, “músicas para o peito” e “música cabeça”, numa forma de agrupamento segundo certas predominâncias rítmicas, melódico-harmônicas e formais. Acredito que o estudo desses elementos e estruturas musicais, no contexto das oficinas teatrais do Grupo Tá Na Rua, pode levar à elucidação da hipótese de que, no contexto do teatro, a música pode ser compreendida como objeto intrinsecamente teatral.

Palavras-chave: Grupo Tá Na Rua, oficina teatral, disk-jockey, música, tipologia musical.



DIAS FELIZES: REGISTROS ICONOGRÁFICOS DA CENA DE SAMUEL BECKETT

Laura Carla Franchi dos Santos (Mestrado /CAPES)
Orientadora: Profa. Dra. Maria Helena Vicente Werneck
Linha de Pesquisa: Poéticas da Cena e do Texto Teatral – PCT
Comunicação

O presente artigo pretende compartilhar a investigação iconográfica realizada para a dissertação de Mestrado “Dias Felizes: imagens do corpo feminino no teatro de Samuel Beckett”, apresentada em 2009 no PPGAC da UNIRIO, cuja pesquisa voltou-se para o estado de vigília e para o avanço da imobilidade como categorias que asseguram a corporeidade de Winnie, protagonista da peça, e que sustentam a travessia do sagrado no corpo esgotado da figura. A apresentação dessas fotografias destaca a corporeidade de Winnie e como o corpo feminino se dá nessa peça: a exibição de um corpo de mulher forte e cuidado sofre um ataque progressivo, porque não é um apagamento que se faz pela cobertura do figurino e ou pelo desvio do foco da luz, mas pelo soterramento. As imagens apresentadas alimentam a construção de uma mulher vaidosa e que leva consigo uma infinidade de objetos – vestígios de uma existência – que desencadeiam ações que ajudam o casal a passar o tempo. O artigo ressalta também a relação do corpo no espaço concebido pela cena beckettiana, que deve ser observada a partir da moldura do palco frontal, já que assume relevância na medida em que limita o cenário da peça e sublinha a visão pictórica do teatro de Beckett. Desse modo, pode-se sugerir que os limites colocados à Winnie não se encontram apenas no monte que a enterra e que impossibilita sua locomoção, mas também nos contornos da moldura que delimitam a geografia ocupada pelos personagens: um espaço de desolação total. O contato com essa pesquisa iconográfica possibilitou ainda verificar a potencialidade cênica do texto, destacando o diretor Samuel Beckett. Por fim, a exposição dessas fotografias pode suscitar questões para futuros trabalhos sobre a dramaturgia e a cena beckettianas.

Palavras-chaves: Iconografia, Fotografia, Cena, Corpo, Espaço.



DO QUARTO À CÂMERA-OLHO: PROCESSOS DE REDUÇÃO E DELIMITAÇÃO NA POÉTICA DE SAMUEL BECKETT

Michelle Nicié (Doutorado/FAPERJ/CAPES)
Orientador: Prof. Dr. José da Costa Filho
Linha de Pesquisa: Poéticas da Cena e do Texto Teatral – PCT
Comunicação

A proposta da comunicação é a de analisar e de explicitar experiências fundamentais no âmbito acadêmico (estágio-sanduíche no estrangeiro, estágio docência na Unirio) que se tornaram determinantes no que diz respeito às transformações teórico-estruturais que foram se configurando ao longo do período da pesquisa. A comunicação será dividida em três partes. Inicialmente, pretende-se traçar um panorama geral do estudo, destacando-se as principais questões, entre elas: a escolha e a delimitação do tema, a participação no seminário na Paris III, a seleção do material em bibliotecas e videotecas especializadas, o momento atual da escrita da tese propriamente dita. Num segundo momento, o foco se restringirá ao tema da comunicação, que é um recorte do tema da própria tese. Em uma de suas declarações a respeito da televisão, Beckett observa: “It’s the savage eye”. Na tradução francesa da frase, sugerida pelo próprio Beckett: “L’oeil impitoyable, l’oeil fauve” (o olho implacável, o olho fera). O que é esse olho implacável? Por que mesmo tendo à sua disposição recursos técnicos e mecânicos específicos da televisão, Beckett parece estar mais interessado e m um caráter estético particular da imagem, associado a um uso restritivo e econômico do ver? Na última parte da comunicação, propõe-se a projeção de algumas passagens de Film (1963), de Beckett, sua única experiência cinematográfica, e talvez da tele-peça, Diga Joe (Eh Joe, Dis Joe) (1965). Film é o primeiro encontro entre Beckett e a câmera. Assim como Diga Joe é a sua primeira peça para a televisão. Pretende-se apontar para a idéia de que o olho implacável é também o olho do próprio Beckett em seu desejo de reduzir, delimitar e enquadrar.

Palavras-chave: Samuel Beckett, olho implacável, imagem, percepção, Film.



POR UMA (DES)ONTOLOGIA DA DANÇA EM SUA (ETERNA) CONTEMPORANEIDADE: UMA CONFERÊNCIA DANÇADA
COM O PENSAMENTO EM PINA BAUSCH


Thereza Cristina Rocha Cardoso (Doutorado)
Orientador: Prof. Dr. José da Costa
Linha de Pesquisa: Poéticas da cena e do texto teatral – PCT
Comunicação

A presente pesquisa busca pensar em que medida a contemporaneidade presente no vocábulo dança contemporânea poderia caracterizar-se por um estado permanente de insuperável devir da dança como meio, interpondo em sua origem não a essência, uma que pudesse ser ontologicamente definida, mas a diferença. Isso nos leva a pensar a contemporaneidade da dança contemporânea por um lado, como estratégia de superação dos paradoxos da Modernidade e, por outro, como (eterna) garantia de que uma Poética da arte jamais volte a constituir-se como tal. Interroga, assim, o papel da teoria de arte, tanto histórica quanto estética, na busca por uma composição textual que se faça ela mesma eternamente contemporânea da própria arte. Para isso, pensa a produção textual como uma espécie de dramaturgia do conceito que de fato se torna cênica na tessitura do espetáculo 3 Mulheres e um Café: uma conferência dançada com o pensamento em Pina Bausch, de autoria da proponente. Nessa cena de linguagem híbrida, texto e movimento se imbricam de modo a tecer uma escritura cênica a meio caminho entre a palestra e o espetáculo de dança contemporânea. Em uma outra cena, agora a do pensamento, Pina Bausch aparece como personagem conceitual (Deleuze/Guattari) de um texto constituído antes de mais nada como uma conversa de dança. Explicitar as conexões entre duas instâncias de pesquisa, a científica e a artística, implica em fazer da tese um exercício de escrita desafiado pela hibridação entre o seu formato e a natureza (cênica) do objeto investigado. Conforme nos inspira certa filosofia:

Fazem-nos acreditar que os problemas são dados já prontos, e que desaparecem nas respostas ou na solução: por conseguinte, sob esse duplo aspecto, não passam senão de fantasmas. Fazem-nos acreditar que a atividade do pensar e, também, o verdadeiro e o falso em relação a essa atividade só começam com a busca das soluções. A verdadeira liberdade está no poder de decisão, de constituição dos próprios problemas.
Gilles Deleuze


Palavras-chave: Ontologia X Genealogia, Dramaturgia do conceito, Conferência dançada, Dança contemporânea, Diferença.

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